Blog do Colégio

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Absenteísmo dos pais e infantilização dos filhos: um binômio desastroso

Professor Henrique Vailati Neto

Temos constatado um fenômeno que parece atingir a um espectro socioeconômico cada vez mais amplo e de consequências perigosas: a ausência maior dos pais do convívio familiar e, como corolário, uma infantilização equivalente dos filhos.

Não há que se discutir e, nem mesmo, aqui, explicar a inelutável necessidade dos pais de cuidar da sobrevivência e, assim, em dedicar menos tempo à educação dos filhos: questão que atinge de forma mais intensa e cruel às mães numa cultural patriarcal que, ainda que moribunda, tem permanências poderosas que sobrecarregam a elas.

Tal ausência tem provocado um complexo de culpa nos pais que acaba, entre diversas consequências, por provocar cuidados excessivos que estão produzindo uma geração carente e mimada: carente pela mal trabalhada ausência dos pais e mimada pela tentativa, muitas vezes equivocada, de suprir tal ausência por um zelo excessivo e inadequado.

É cada vez mais frequente, no cotidiano da vida escolar, pais que pouca atenção dedicam aos filhos serem tomados por uma verdadeira fúria protetora quando os mesmos, sentindo-se desprotegidos, a eles recorrem: tentativas equivocadas e ineficientes de compensarem omissões acabam por gerar um protecionismo indevido e causador de um prolongamento da infância ou da acentuação dela.

Não custa lembrar que, quando se tem pouco tempo para uma atividade essencial como educar os filhos, é obrigatório dar o máximo de qualidade a esse tempo, é fazer valer o convívio familiar pelo diálogo pela proximidade humana: nada mais deprimente do que almoços em família condenados pelo digitar de celulares.

Como quase tudo na vida a escassez deve valorizar o escasso e, no caso de um bem irrecuperável como o tempo, tal economia do essencial é vital.

(Fevereiro de 2019)

A educação em uma idade das trevas

Professor Henrique Vailati Neto

Recentemente, em um encontro na FAAP, o jornalista Marcelo Tas, referindo-se ao universo digital que domina a humanidade, ressaltou aquela que é uma de suas mais marcantes características, a incomensurável oferta de informações numa superação astronômica da revolução gerada por Gutenberg.

De fato, se a posse da informação não é mais privilégio do professor ou dos mais velhos, se todos podem acessar a informação em segundos, nas mais diversas fontes, a função do educador sofreu uma mutação profunda: de transmissor de informações, os educadores devem assumir funções mais nobres e, profundamente, mais delicadas enquanto tutores dessas informações.

Despertar no educando a capacidade crítica de selecionar e avaliar a informação recebida; orientá-lo na busca de fontes seguras; incentivá-lo a estabelecer correlações e de, finalmente, inferir conclusões pessoais o mais isentas possível de interferências tendenciosas, eis a grande tarefa!

E aqueles que não se derem conta disso, serão atropelados pela história!

Se não ficar muito claro qual é o desafio fundamental deste universo digital, corremos o sério risco de mergulharmos numa efetiva idade das trevas na qual a ignorância prepotente gerada pelo domínio de informações distorcidas será causadora de uma alienação corruptora da civilização, fenômeno que já se enuncia...

(Fevereiro de 2019)

O lúdico domesticando monstros: matemática para brincar

Professor Henrique Vailati Neto

Desde sempre as escolas buscaram especialistas, reuniram tecnologia e muita criatividade para atenuar as chamadas “ciências duras” e, dentre elas, sua rainha, a matemática.

Conduzir os alunos a dominar a lógica de uma ciência sempre foi uma tarefa delicada, inevitável no processo educacional, mas que teve vilões que a tornaram muito mais difícil do que deveria sê-lo: dezenas de gerações de pseudoprofessores valeram-se dessa dificuldade natural para estabelecerem posturas autoritárias de domínio sobre o alunado.

Por mais que camadas de verniz pedagógico encobrissem essa prepotência de certos “detentores do saber”, por mais que o óbvio pedagógico aconselhe o caminho da sedução e do encantamento para a aquisição do conhecimento, permanências inconscientes causam, ainda, danos de difícil reparação.

Tenho muito nítida em minha memória de estudante o alívio que sentíamos quando, um novo professor, trazia o alento de uma abordagem humanizada para uma “disciplina difícil”: aqui, deixo minha homenagem ao saudoso professor Victor Eiseman cujas aulas de matemática eram um recreio numérico no qual a mística dos números se transformava em suave fantasia.

Num clima de desconcentração, cooperação, seriedade e salutar competição, nosso Colégio realizou a Olimpíada de Matemática organizada pela Professora Maria José Correa Bonelli e que envolveu toda a comunidade escolar.

Perto de cinquenta equipes competiram por cerca três horas numa atmosfera de absoluta concentração e prazer: observando os trabalhos, em todas as salas, confirmamos a certeza de que o desafio da aprendizagem se soluciona pela abordagem adequada dos conteúdos. Não restam mais dúvidas de que maior desafio das ciências é o caminho de um didatismo facilitador que, desmitificando sua frieza, convida ao estudo e permita ao estudante penetrar seus universos sem os traumas de um noviciado de terrores.

(Fevereiro de 2019)

O Presidente do Supremos Tribunal Federal no Colégio FAAP

Professor Henrique Vailati Neto

Dentre as inúmeras vantagens de sermos um Colégio na universidade, a possibilidade de nossos alunos usufruírem dos eventos e da atmosfera acadêmicos é, sem dúvida, uma inestimável riqueza.

No último de dia 18 deste mês, graças ao gentil convite do Diretor de nossa Faculdade de Direito, Dr. José Roberto Neves Amorim, nossos alunos puderam conversar com o Ministro Tóffoli e assistir a uma palestra especificamente dirigida aos iniciantes e aos pretendentes à carreira jurídica.

Da mesma forma que muitos expoentes da mais diferentes do mercado vêm às nossas Faculdades proferir palestras aos nossos alunos, o encontro com o Ministro mostrou uma sua inusitada faceta, a preocupação em orientar os jovens na difícil escolha de uma profissão: de forma didática e objetiva o palestrante fez um conciso panorama da carreira jurídica no Brasil, suas possibilidades e percalços.

É dever do educador enaltecer alguém que, no mais alto grau de sucesso profissional, abre espaço em uma pesada agenda para trazer aos jovens, mais do que uma rica experiência de vida, o exemplo concreto do educador que,  neste caso, despe a toga e simplifica o jargão jurídico.

Experiências como essa permitem aos nossos alunos escolhas profissionais mais maduras num mercado de trabalho cada vez mais agudizado pelas rápidas transformações que, tanto abrem horizontes impensáveis até outro dia, como anulam, num piscar de olhos, antigas profissões.

(Fevereiro de 2019)

O recomeço é, sempre, um novo começar

Professor Henrique Vailati Neto

Se existe algo que a experiência educacional nos ensinou é de que, na vida escolar, não existem veteranos: por mais tempo que se esteja numa mesma instituição, por mais conhecida que seja a turma, novos professores, novos colegas e a dinâmica de transformação de seres em crescimento criarão novas realidades.

Considerando que o novo sempre traz uma dose perigosa de insegurança e levando em conta que segurança é terreno indispensável para o processo de aprendizagem, cabe aos educadores enorme responsabilidade de fazer, de cada reinício letivo, um momento de cuidadoso acompanhamento.

Afora todos aqueles cuidados para se reenquadrar os jovens na rotina física dos novos compromissos, surge uma lista de itens que escolas e famílias devem atentar para que o começo não se confunda com tropeço: pequenos desencontros de informação, incômodos de adaptação, inseguranças inerentes ao novo, tudo deve ser atendido de pronto para que se preserve a paz pedagógica.

Estar em estreita comunicação com a escola para que qualquer ruído dissonante seja, de imediato, esclarecido e afastado é a única forma de se impedir que diferenças se tornem obstáculos, é a garantia de que um início pacífico pacifique todo o processo subsequente.

(Blog Estadão de 01 de fevereiro de 2019)

Os fundamentos da civilidade: nossa maior dívida para com os nossos professores

Professor Henrique Vailati Neto

Filho de professor, marido de professora e pai de professor tive a felicidade de respirar educação no ventre materno e, após mais de meio século vivendo e refletindo o educar, pude chegar a umas poucas conclusões pétreas: um pouco que é demasiado em tempos do imponderável.

Vamos a elas!

Se educar é apoiar, incentivar, apresentar de forma atrativa os fundamentos das ciências e, sobretudo, provocar o pensar crítico e criativo, tudo isso nasce da ação exemplar do mestre sem o que, todo o resto é letra morta que a vida consome.

Cotejando a longa lista de meus professores encontrei, dentre eles, mestres, seres humanos que deixaram profundas marcas na construção positiva de seus alunos, imprimindo imagens de solidez eterna.

Nessa arqueologia da gratidão tentei identificar os traços comuns que perenizaram tais  professores e, por mais que a lembrança de seus conhecimentos, por mais que momentos marcantes de suas disciplinas tenham impressionado minha memória, havia algo mais importante.

Por que a imagem desses mestres foi e é tão querida?

A resposta emergiu com a singeleza da verdade, esses queridos mestres do panteão de minha vida me viam como um ser humano que merecia respeito, me concederam a confiança de que eu precisava para crescer; pelo seu exemplo engrandecedor me senti  sujeito de mim mesmo; não me envergonhei, mas aprendi com os meus erros;  por eles tive a certeza de que nenhum conhecimento tem valor se não elevar o ser humano.

(Fevereiro de 2019)

Quando diferenças não são anomalias

Professor Henrique Vailati Neto

Se, no último blog, me detive naqueles casos em que educadores, equivocadamente, perpetram desastres na busca da excelência educacional quero, aqui, falar de outros equívocos frequentes e que provocam dramas onde o fulcro da questão é um padrão equivocado de diagnósticos.

Quando a medicalização das diferenças começou a criar doenças em comportamentos que fugiam, mesmo discretamente, da normalidade, começamos a receber alunos tangidos de inúmeras outras instituições como “problemas”; com diagnósticos complexos ou, outras vezes, sem diagnóstico e, tanto uns quanto os outros,  enquadrados na categoria “inclusão”, ou seja, especiais.

Grande parte desses “incluídos” apresentavam problemas de integração social ou dificuldades de aprendizagem que, em escolas não massificadas, seriam superados desde que acudidas em seu nascedouro e atendidos, adequadamente, pelo todo da comunidade escolar em estreita sintonia com a família: um serviço de Orientação Educacional competente orientando professores e preparando o ambiente escolar pode gerar as condições necessárias de reinclusão sem maiores traumas.

Há tempos venho observando os casos efetivos de inclusão que temos recebido e pude constatar, com algumas exceções, que tais alunos foram tratados como “casos perdidos”: transitaram por escolas dispostas e sensíveis aos problemas dos alunos, mas sem a devida capacitação, sem que houvesse o necessário cuidado com suas singularidades e, na maioria das vezes, suportando as diferenças até o estreito limite da complacência da comunidade; tão logo a necessidade de se sair, um pouco mais, fora do padrão de conduta da instituição, as famílias eram instadas a procurar “instituições especializadas”.

Evidente que existem casos para os quais as escolas regulares não têm condições de acolhimento adequado, mas são casos extremos e que não se enquadram na maioria gritante de alunos que recebemos como “especiais”. Assim, o que fica evidente, é que, além do exagero, ou da imprecisão de diagnósticos que caracterizariam necessidades especiais, temos a falta e preparo das instituições e, sobretudo, uma verdadeira epidemia alarmista que atinge famílias quando estas se dão conta de que seus filhos fogem a um padrão sócio-intelectual estabelecido, mas o que, efetivamente, não caracteriza anormalidade, não se define como morbidez.

(Fevereiro de 2019)

Uma nova escola: um contrato de mútua confiança

Professor Henrique Vailati Neto

Acompanhando o noticiário educacional, constatei que matérias orientando para a escolha de uma nova escola carecem de um dado essencial para que um contrato de prestação de serviços educacionais seja eficaz.

Assim, as abordagens iniciais gravitam ao redor daquelas orientações básicas quanto à coincidência dos valores e objetivos familiares com o projeto pedagógico da nova escola e que implica em tarefa complexa: demanda pesquisa cuidadosa e algum conhecimento pedagógico para saber o que buscar. Além do que a nova instituição propõe formalmente, é essencial que entrevistas com a coordenação, visitas à escola em funcionamento, consultas a alunos e a ex-alunos busquem revelar as características efetivas do projeto pedagógico concreto, em suas inúmeras decorrências práticas no cotidiano.

No entanto, será no desgaste natural da vida do cotidiano escolar, que o dado olvidado no noticiário fará a diferença essencial: falamos da confiança mútua entre contratantes, alicerce de qualquer contrato, mas que em educação, é vital. Daí, a necessidade de um conhecimento o mais pleno possível da escola em questão; daí, a imposição de que não se tenha pressa na avaliação de todas as condições oferecidas e, sobretudo, a importância de não se escolher uma escola por modismos, por varáveis como preço e localização, ou por qualquer outra variável que não seja a confiança plena no projeto pedagógico a ser desenvolvido.

Nas incontáveis dificuldades que a vida escolar pode oferecer em termos de desgastes, a falta de confiança de qualquer uma das partes envolvidas pode gerar comprometimentos altamente negativos que poderão comprometer a vida escolar e, não raro, uma vida.

Nesse sentido, um princípio seguro, uma vez que confiança é um processo de construção permanente, só matricule seu filho numa nova instituição quando todas as dúvidas forem esclarecidas, quando não houver nenhum ponto obscuro, ou nenhum senão. Caso contrário, ante as primeiras dificuldades, corre-se o risco de uma nova escola e uma possível nova decepção.

(Fevereiro de 2019)

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